quarta-feira, 28 de março de 2012

As Brincadeiras de Roda


É natural que nos sintamos excluídos quando uma roda qualquer é formada e não inseridos nela. O sentimento de rejeição de determinado nicho comunitário provoca, geralmente, uma auto-reflexão e um questionamento interno que nem sem sempre traduz a realidade. Quando inserido, o prazer da aceitação alheia se traduz em uma espécie de acordo tácito onde o equilíbrio da roda se sobrepõe aos anseios individuais pois, se assim não for, o elo podre da corrente pode se romper.
            Aliás, esse é o fundamento primordial da formação circular quando se desenvolve trabalhos em grupo. A roda possibilita uma interação que dificilmente pode ser alcançada em outras formações geométricas. Nelas, os participantes podem ser expostos a uma confrontação e, até mesmo, servirem de espelhos para variados procedimentos de seus pares.
            Nesse procedimento de se alinhar circularmente, o ser humano tem buscado a introspecção em busca de suas raízes, sensações e verdades. As danças circulares desenvolvidas pelo coreógrafo alemão Bernhard Wosien resgatam os valores humanos folclóricos implícitos nessa referida arte da expressão corporal. O resgate cultural que nelas está subentendido proporciona uma melhor identificação cultural e, por extensão, promove o reconhecimento do indivíduo como sendo parte integrante desse círculo social.
            As relações entre as culturas de diferentes povos podem, de maneira simples, serem desenvolvidas e inter cambiadas em uma roda de prosas, conversas, histórias diversas onde o preponderante é a diversidade, o diferente. Organizar e participar de uma roda, seja ela de que natureza for, pressupõe a disponibilidade para a diferença, para o novo.
            É, por essas razões, que as danças e brincadeiras de roda, que trazem consigo as tradições folclóricas musicais, devem permanecer constantes na formação básica do indivíduo. Toda criança gosta de música, poesia, brinquedo (Lydia Hortélio (in BRITO, 2003)).É através dessas atividades que os espaços individuais são delimitados e, o respeito ao espaço alheio é desenvolvido. O fato é que, na contramão dessa constatação, temos desvalorizado ao extremo o convívio circular em favor do enaltecimento do eu, do individualismo, do egoísmo puro. Estamos deliberadamente abandonando a convivência comunitária simbolizada pela roda, em favor da unidade simbolizada pelo ponto, aquele mesmo que se perde na imensidão que são as relações humanas.

Ossimar Heleno Batista

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O QUE É EDUCAÇÃO MUSICAL NA CONTEMPORÂNEIDADE


            Tratar da Educação Musical na atualidade é torná-la acessível a todos os níveis de formação/informação que perfazem os caminhos da educação, é tirá-la do rigor técnico e elevar sua prática ao máximo das possibilidades individuais.
            A música, como ferramenta educacional, tem a capacidade de se insinuar entre as diversas disciplinas que compõem os currículos escolares regulares potencializando-os com a agregação de todos os matizes sensoriais que lhe são característicos. Essa permeabilidade é traduzida nas diversas aplicações cotidianas onde a música se faz presente, auxiliando o desenvolvimento cognitivo e emocional do aprendiz.
            No trabalho disciplinar, no aprimoramento da percepção do ambiente, na melhoria da concentração, na disciplina, no desenvolvimento do senso ético, no equilíbrio psico-motor, e em tantas outras áreas que abrangem a formação humana, a música é capaz de trazer benefícios que não podem ser desprezados pelas instituições educadoras e nem pelos professores.
            Com essas prerrogativas, a educação musical pode ser utilizada na elevação da auto-estima, na formação de músicos profissionais, na elevação social das comunidades de risco, na musico- terapia, nas artes cênicas, mas principalmente; na formação integral do indivíduo preparando-o para o convívio social.
            O educador musical tem um campo de atuação muito vasto que vai do compartilhamento do saber com alunos de escolas regulares, à formação técnica de professores musicais, ao desenvolvimento de projetos culturais, regência de corais e bandas, elaboração de arranjos, produção musical e as infinidades de ramificações que a profissão lhe permite.
            A música é para todos e assim como diz Arroyo ...as músicas devem ser estudadas não apenas como produto, mas como processo,...” onde o fim deve ser a apreciação do belo e, nos dias atuais, a promoção  do equilíbrio entre o ser humano e seu habitat.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Educação Musical dos Séculos XVIII e XIX


     O Século XVIII é tomado pelo iluminismo e pela razão. A conclamação das coisas naturais defendida por Jean-Jacques Rousseau era, na verdade, uma postura contrária às convenções reinantes e uma declaração de conformidade aos direitos da infância. A música produzida nesse período caracterizada pela simetria, a harmonia, a ordem, e transportava para a educação musical esses princípios de objetividade e refinamento. A música instrumental advinda do Barroco ganhou das escolas de Mannheim e de Viena, agora no Classicismo, a forma de Sonata e todas as suas variantes.
      Os temas inspiradores das Sonatas possuem cunho psicológico e de expressão sentimental e o discurso musical baseia-se em lendas e folclores medievais, nórdicos e gauleses  e as mudanças político-sociais trazidas pela revolução industrial e seus novos consumidores de arte emergidos da nova classe média. A complexidade da Música Barroca vai cedendo lugar ao estilo galante da Música Clássica que tem como objetivo principal de agradar o ouvinte e, apesar de apreciada e agradável, ela também pode expressar fortes sentimentos. O importante, no entanto, é que agora os compositores são livres e desobrigados com os contratantes e, por isso, dão asas livres ao processo criativo. Esse é o período do culto ao belo, à harmonia das formas, cores, e pensamentos.
     O Século XIX observou a expansão da Revolução Industrial, promoveu o crescimento da educação como um todo permitindo que os músicos aprofundassem seus estudos técnicos de domínio instrumental dando origem à figura do “instrumentista virtuose”. Esse período histórico, conhecido como Período Romântico, dá-se em razão dos avanços tecnológicos que vão aos poucos sendo incorporados à fabricação de instrumentos de melhor qualidade. Assim, volta-se a produzir música curta para ouvintes seletos e tocada por pequenos grupos instrumentais, mas também para as grandes orquestras capazes de produzir os efeitos sonoros da sinfonia romântica. A escola da música tonal tem seus momentos derradeiros e as formas livres ditam os novos caminhos incorporando os movimentos nacionalistas às tendências de reunificação do continente Europeu. Os românticos adotaram a transformação pela revolução e enalteceram o indivíduo apesar de todas as suas inquietudes.
     Toda a instabilidade do período é perceptível nas obras musicais que o representam e sua trajetória passa pela transgressão das normas Clássicas de composição que levam através, por exemplo, da máxima exploração das tensões harmônicas, à diluição da tonalidade. Estamos no limiar do Modernismo.

Referências:

Material Didático da Disciplina “História da Música e da Educação Musical (Professora Maristella P. Cavini)
Origens e Desenvolvimento da Educação Musical: Uma Breve Visão (Professor Glauber Santiago)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"A Música do Período Clássico"

            Embora haja divergências sobre as datas que compreendem o período Clássico da História da Humanidade e da Música, tem-se por consenso que; o período foi marcado pelo apogeu do Iluminismo e a Revolução Francesa.  Com a ascensão econômica da burguesia, seu poder acabou por contribuir para o enfraquecimento da nobreza e o desenvolvimento das idéias capitalistas e o surgimento do pensamento racional.
            Na música, os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade que nortearam a Revolução Francesa, promoveram uma mudança que já vinha se arrastando e transformando o Barroco desde a década de 1730 para eclodir na música do Período Clássico de Haydin e Mozart, bem como nas composições iniciais de Beethoven (Uma Breve história da Música – Bennett, R. pag.45) entre 1750 e 1810, dando-lhe um caráter mais homofônico em contraste aos contrapontos característicos do Barroco.
            Nesse primeiro momento, a Música Clássica absorveu as influências arquitetônicas greco-romanas destacando sua simplicidade, harmonia e principalmente seu equilíbrio que ficou conhecido como “estilo galante”. É também nesse período que a Orquestra sofre suas maiores transformações tornando-se, em estrutura, muito semelhante à sua formação atual.
            Com a invenção do pianoforte em 1700 por Bartolomeo Cristofori (Roy Bennett) e sua crescente utilização em substituição ao cravo, o baixo contínuo foi caindo em desuso dando lugar a composições mais elaboradas tais como a Sonata, o Concerto, a Sinfonia, além do quarteto de corda, a serenata e o divertimento.
            Esse efervescente período musical tem em Beethoven uma de suas expressões máximas, ao ponto de sua morte praticamente encerrá-lo não sem antes carregá-lo de um forte sentido rítmico, dissonâncias, jogos de timbres, contrastes e dinâmicas inesperadas.

Referência:
- BENNETT, Roy, Uma Breve Historia da Música. 2. Ed. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor Ltda., 1986. 79 p.
- Livro Eletrônico da Disciplina História da Música e da Educação Musical, Professora Maristella P. Cavini, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)