segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O QUE É EDUCAÇÃO MUSICAL NA CONTEMPORÂNEIDADE


            Tratar da Educação Musical na atualidade é torná-la acessível a todos os níveis de formação/informação que perfazem os caminhos da educação, é tirá-la do rigor técnico e elevar sua prática ao máximo das possibilidades individuais.
            A música, como ferramenta educacional, tem a capacidade de se insinuar entre as diversas disciplinas que compõem os currículos escolares regulares potencializando-os com a agregação de todos os matizes sensoriais que lhe são característicos. Essa permeabilidade é traduzida nas diversas aplicações cotidianas onde a música se faz presente, auxiliando o desenvolvimento cognitivo e emocional do aprendiz.
            No trabalho disciplinar, no aprimoramento da percepção do ambiente, na melhoria da concentração, na disciplina, no desenvolvimento do senso ético, no equilíbrio psico-motor, e em tantas outras áreas que abrangem a formação humana, a música é capaz de trazer benefícios que não podem ser desprezados pelas instituições educadoras e nem pelos professores.
            Com essas prerrogativas, a educação musical pode ser utilizada na elevação da auto-estima, na formação de músicos profissionais, na elevação social das comunidades de risco, na musico- terapia, nas artes cênicas, mas principalmente; na formação integral do indivíduo preparando-o para o convívio social.
            O educador musical tem um campo de atuação muito vasto que vai do compartilhamento do saber com alunos de escolas regulares, à formação técnica de professores musicais, ao desenvolvimento de projetos culturais, regência de corais e bandas, elaboração de arranjos, produção musical e as infinidades de ramificações que a profissão lhe permite.
            A música é para todos e assim como diz Arroyo ...as músicas devem ser estudadas não apenas como produto, mas como processo,...” onde o fim deve ser a apreciação do belo e, nos dias atuais, a promoção  do equilíbrio entre o ser humano e seu habitat.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Educação Musical dos Séculos XVIII e XIX


     O Século XVIII é tomado pelo iluminismo e pela razão. A conclamação das coisas naturais defendida por Jean-Jacques Rousseau era, na verdade, uma postura contrária às convenções reinantes e uma declaração de conformidade aos direitos da infância. A música produzida nesse período caracterizada pela simetria, a harmonia, a ordem, e transportava para a educação musical esses princípios de objetividade e refinamento. A música instrumental advinda do Barroco ganhou das escolas de Mannheim e de Viena, agora no Classicismo, a forma de Sonata e todas as suas variantes.
      Os temas inspiradores das Sonatas possuem cunho psicológico e de expressão sentimental e o discurso musical baseia-se em lendas e folclores medievais, nórdicos e gauleses  e as mudanças político-sociais trazidas pela revolução industrial e seus novos consumidores de arte emergidos da nova classe média. A complexidade da Música Barroca vai cedendo lugar ao estilo galante da Música Clássica que tem como objetivo principal de agradar o ouvinte e, apesar de apreciada e agradável, ela também pode expressar fortes sentimentos. O importante, no entanto, é que agora os compositores são livres e desobrigados com os contratantes e, por isso, dão asas livres ao processo criativo. Esse é o período do culto ao belo, à harmonia das formas, cores, e pensamentos.
     O Século XIX observou a expansão da Revolução Industrial, promoveu o crescimento da educação como um todo permitindo que os músicos aprofundassem seus estudos técnicos de domínio instrumental dando origem à figura do “instrumentista virtuose”. Esse período histórico, conhecido como Período Romântico, dá-se em razão dos avanços tecnológicos que vão aos poucos sendo incorporados à fabricação de instrumentos de melhor qualidade. Assim, volta-se a produzir música curta para ouvintes seletos e tocada por pequenos grupos instrumentais, mas também para as grandes orquestras capazes de produzir os efeitos sonoros da sinfonia romântica. A escola da música tonal tem seus momentos derradeiros e as formas livres ditam os novos caminhos incorporando os movimentos nacionalistas às tendências de reunificação do continente Europeu. Os românticos adotaram a transformação pela revolução e enalteceram o indivíduo apesar de todas as suas inquietudes.
     Toda a instabilidade do período é perceptível nas obras musicais que o representam e sua trajetória passa pela transgressão das normas Clássicas de composição que levam através, por exemplo, da máxima exploração das tensões harmônicas, à diluição da tonalidade. Estamos no limiar do Modernismo.

Referências:

Material Didático da Disciplina “História da Música e da Educação Musical (Professora Maristella P. Cavini)
Origens e Desenvolvimento da Educação Musical: Uma Breve Visão (Professor Glauber Santiago)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"A Música do Período Clássico"

            Embora haja divergências sobre as datas que compreendem o período Clássico da História da Humanidade e da Música, tem-se por consenso que; o período foi marcado pelo apogeu do Iluminismo e a Revolução Francesa.  Com a ascensão econômica da burguesia, seu poder acabou por contribuir para o enfraquecimento da nobreza e o desenvolvimento das idéias capitalistas e o surgimento do pensamento racional.
            Na música, os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade que nortearam a Revolução Francesa, promoveram uma mudança que já vinha se arrastando e transformando o Barroco desde a década de 1730 para eclodir na música do Período Clássico de Haydin e Mozart, bem como nas composições iniciais de Beethoven (Uma Breve história da Música – Bennett, R. pag.45) entre 1750 e 1810, dando-lhe um caráter mais homofônico em contraste aos contrapontos característicos do Barroco.
            Nesse primeiro momento, a Música Clássica absorveu as influências arquitetônicas greco-romanas destacando sua simplicidade, harmonia e principalmente seu equilíbrio que ficou conhecido como “estilo galante”. É também nesse período que a Orquestra sofre suas maiores transformações tornando-se, em estrutura, muito semelhante à sua formação atual.
            Com a invenção do pianoforte em 1700 por Bartolomeo Cristofori (Roy Bennett) e sua crescente utilização em substituição ao cravo, o baixo contínuo foi caindo em desuso dando lugar a composições mais elaboradas tais como a Sonata, o Concerto, a Sinfonia, além do quarteto de corda, a serenata e o divertimento.
            Esse efervescente período musical tem em Beethoven uma de suas expressões máximas, ao ponto de sua morte praticamente encerrá-lo não sem antes carregá-lo de um forte sentido rítmico, dissonâncias, jogos de timbres, contrastes e dinâmicas inesperadas.

Referência:
- BENNETT, Roy, Uma Breve Historia da Música. 2. Ed. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor Ltda., 1986. 79 p.
- Livro Eletrônico da Disciplina História da Música e da Educação Musical, Professora Maristella P. Cavini, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

domingo, 30 de outubro de 2011

"A Música Latino-Americana e as Escolas Nacionalistas do Séc.XX

            A música latino-americana do século XX traz uma grande influência das Escolas Nacionalistas já que busca a afirmação das culturas subjugadas pelos colonizadores. Se as antigas civilizações latino-americanas como os Maias, os Incas, os Astecas, os Tupi-Guaranis dentre outros não tivessem sido massacrados, e suas culturas sobrepujadas pelos europeus, a música latino-americana não teria sido tão dependente da cultura musical européia. Ela teria, provavelmente, sua própria característica herdada dos povos que habitavam esse continente.
            A identidade musical perdida foi aos poucos sendo recuperada através das Escolas Nacionalistas que, apesar de terem suas raízes no Velho Continente, possibilitou que novos compositores das novas terras inserissem motivos folclóricos em suas composições e, na busca por novas formas e sonoridades, fizessem uso de novos timbres e diversificassem a utilização dos instrumentos através de novas técnicas de execução, de composição e de notação musical.
            As mudanças socioeconômicas que ocorreram no começo do século impulsionaram a transformação das características musicais herdadas do século XIX e fizeram despontar a politonalidade, a atonalidade, o dodecafonismo, a música eletrônica, a música aleatória, e outras tantas formas musicais que abrangeram as Escolas Nacionalistas criando o gérmen da identidade. Assim, passou-se a reconhecer as músicas Latino-americanas por suas características miscigenações musicais, onde a tradição européia, a cultura autóctone, e principalmente a cultura africana se fundem na produção de uma música com ingredientes que a tornam reconhecível e identificável sem maiores dificuldades.
            O confronto cultural produzido no pós-descobrimento levou à produção musical imitativa dos modelos estéticos e aceitáveis do colonizador. A música boa deveria seguir os padrões impostos por aqueles que se achavam donos da verdade absoluta. A música produzida pelos autóctones não se encaixava no padrão de beleza e concepção aceitáveis e, portanto, não merecia ser preservada.
            A identidade outrora perdida com a colonização não pode ser recuperada, mas, a nova música que surgiu com a aglomeração de tantas influências, certamente da à música latino-americana, características ímpares de representação cultural de seu povo. Assim, compositores como os mexicanos Silvestre Revueltas e Pablo Moncayo, o argentino Alberto Ginastera e o brasileiro Heitor Villa-Lobos traduziram, através de suas composições, as aspirações das culturas de seus respectivos países, de se verem representadas por uma música que lhes fosse verdadeiramente íntima.

Referências:
http://www.metropolitana.pt/%C3%80-Descoberta-da-Am%C3%A9rica-974.aspx
Material Didático da Disciplina História da Música e da Educação Musical 2 (Professora Maristella Pinheiro Cavini – UFSCar)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A APRENDIZAGEM


            Partindo do princípio de que a instituição escolar tem por finalidade o ensino da aprendizagem, torna-se um contra censo obrigá-la a transmitir unicamente conteúdos pré- estabelecidos. É da natureza humana, o fato de poder derivar relações tendo como base uma única informação. Assim é que, quando ensinamos para uma criança acima de quatro anos, que duas bolas correspondem ao numeral dois, ela passa imediatamente a derivar que o numeral dois corresponde a duas bolas numa relação de reflexividade, e assim sucessivamente, é possível ensinar a aprender através de conceitos básicos.
            Lançar mãos de ferramentas que auxiliem o aprender, alarga os horizontes na tarefa do educar ao mesmo tempo em que fortifica as bases que fundamentam a aprendizagem. Nessa abordagem onde as novas ferramentas têm papel preponderante, a música se destaca por trabalhar a sensibilidade que não se restringe a partes determinadas do corpo, mas por abrangê-lo como num todo acelerando ou diminuindo a intensidade de reação de acordo com as propostas musicais apresentadas.
            Mesmo na reformulação ou na correção de erros no processo de aprendizagem, a música pode trabalhar a concentração e auto-estima, de maneira a transformar a punição para que possa ser aceita como parte do processo de erros e acertos que caracterizam o ato de aprender. Não há imunidade ao erro e, dessa forma, é preciso se conscientizar de que suas ocorrências são perfeitamente compreensíveis tanto para o aluno quanto para o professor que, na persistência do erro, apesar do reforço em sua correção, poderá rever seu projeto pedagógico afim de  dirimir as deficiências de aprendizagem que se apresentarem.

Ossimar

A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO NO AUDIOVISUAL


A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO EM UMA OBRA AUDIOVISUAL

            Já se passaram aproximadamente onze meses de uma cena, levada ao ar pela novela Viver a Vida da rede Globo, e que protagonizou uma caracterização da subserviência negra aos modelos sociais que, de acordo com a constituição brasileira, não deveriam mais serem registradas em nossa sociedade. A cena a qual me  refiro gerou polêmica, abriu uma nova discussão a respeito do papel delegado aos negros já que a Helena, interpretada pela atriz Thaís Araújo, não fazia parte da fatia menos favorecida financeiramente e, portanto, não caberia na figura estereotipada da negra serviçal.
            Por outro lado, a atriz que já havia interpretado o papel de Xica da Silva anteriormente, se rende ao dramalhão barato desprezando sua trajetória anterior de mulher identificada culturalmente e de espelho para outras mulheres negras.
            A cena é de tamanha humilhação que levantou debates inflamados além de  gerar o texto reflexivo “Em cena, uma negra de joelhos” escrito por Gleiciele Oliveira e Shagaly Araújo e publicado no site do Observatório da Imprensa e pode ser revista em: http://www.youtube.com/watch?v=C6W1ZszyKEM&feature=related
            As questões levantadas pelas colunistas dizem respeito às várias facetas da personagem que demonstram uma miríade de estereótipos do negro em meio à sociedade de brancos. Seu amado é branco, seu sucesso como modelo é ameaçado por um aborto praticado antes da fama, sente-se responsável por um acidente que tornou uma branca paraplégica, é arrimo econômico de sua família, além da fatídica cena de humilhação.
            Todas essas características empregadas à personagem perfazem a típica relação entre negros e brancos na sociedade brasileira onde, mesmo tendo galgado um patamar mais elevado na escala da sociedade bem sucedida, o negro, por sua pele, sofre a discriminação velada de todos os setores dessa mesma sociedade. Ainda de acordo com o texto, o que deveria ser uma ampliação e mesmo valorização dos elementos negros como atores capazes de representar papéis  protagonistas de telenovelas levadas ao ar em horários nobres, o que se viu foi, mais uma vez, o recrudescimento do teor igualitário falsamente pregado entre as diversas raciais e étnicas.
            O que se lamenta é que, novamente ficamos perplexos e pasmos ante ao suplício moral imposto à personagem e que nos remete àquele aplicado ao negro Fulgêncio de Escrava Isaura e que o levou à morte. Pode ser que a própria atriz Thaís Araújo tenha morrido como representante dos mais de 40% da população negra que poderiam tê-la modelo fiel de possibilidade.


Referências:
-Material didático da disciplina Tópicos em Educação, Cultura e Sociedade 2 (Professor Arthur Autran F. de Sá Neto) da Universidade Federal de São Carlos


O NEGRO NA ARTE MODERNA BRASILEIRA


A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO NA ARTE MODERNA BRASILEIRA

            A representação negra no século XX pode ser compreendida através de duas formas distintas de observação. A externa que compreende os produtores culturais brancos engajados nos ideais abolicionistas como, por exemplo, Castro Alves, e a interna que é fruto de artistas negros em seus exercícios de busca de identidade e aglutinação de seus pares.
            Dentre os artistas internos há de ressaltar o trabalho de Luiz Silva, pseudônimo “Cuti”, nascido em 1951 na cidade de Ourinhos/SP, formado em Letras pela USP e em Literatura Brasileira pela UNICAMP. Cuti foi um dos fundadores e mantenedores da série Cadernos Negros, de 1978 a 1993, e do grupo literário Quilombhoje, de 1980 a 1994 e, segundo Abdias do Nascimento, os Cadernos Negros são expressão de excelência do Movimento Negro (A representação do negro nas poesias de Castro Aves e de [ Luiz Silva] Cuti: de objeto a sujeito – Oliveira, H.S.Luiz, - Belo Horizonte, 2007)
            Nessa dissertação de mestrado, Luiz Oliveira traz uma interessante reflexão sobre as diferentes representações dos negros nas poesias brancas (Castro Alves) e nas poesias negras (Luiz Silva – “Cuti”).

Referência: A representação do negro nas poesias de Castro Alves e de [Luiz Silva]
                   Cuti: de objeto  sujeito


Ossimar